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Implementando um consumo consciente: MT tem a energia elétrica mais cara do Centro Oeste



A energia elétrica no Brasil possui atualmente uma das tarifas mais altas do mundo, boa parte influenciada pelos tributos federais e estaduais, encargos setoriais, pelos subsídios da conta CDE-Conta de Desenvolvimento Energético e pelo “mix de compras de energia” no mercado regulado. Recentemente, a conta de energia ficou ainda mais “salgada”, devido ao impacto das bandeiras tarifárias, implementadas em função da crise de água nos grandes reservatórios das Usinas hidrelétricas. O acréscimo das bandeiras foi para custear o despacho de usinas termoelétricas, bem mais onerosas. Por outro lado, as abordagens das empresas distribuidoras de energia elétrica e demais órgãos do setor elétrico tem sido muito previsíveis no tocante à economia de energia. Estampar frases como “Não deixe luzes acesas sem necessidade” por si só já não despertam mais o interesse dos consumidores.

Dentre as 64 distribuidoras de energia elétrica do Brasil, Mato Grosso possui a 25ª tarifa mais cara de energia no segmento residencial. Se considerarmos somente as maiores empresas, temos a 13ª mais cara. No Centro Oeste temos a tarifa mais cara da região dentre as distribuidoras de maior porte. A se concretizar o reajuste tarifário provisório no próximo dia 08 de abril, de 10,64% para a classe residencial, ainda em discussão pela Aneel, teríamos em Mato Grosso a 3ª. maior tarifa deste segmento no país dentre todas as distribuidoras.

Neste universo, o consumidor conta somente com si próprio para tentar reduzir sua conta mensal e há um bom caminho a explorar neste sentido. A gestão do tempo de uso dos equipamentos é um ponto central. O que se espera é que o consumidor não deixe de utilizar a energia elétrica, contudo que evite o seu desperdício.

A Aneel (Agencia Nacional de Energia Elétrica) tem muito ainda o que fazer para auxiliar o consumidor nesta missão. Que tal se a mesma implantasse mecanismos para o consumidor residencial poder fazer a sua gestão em tempo real? Hoje, somente grandes consumidores têm acesso via medidores eletrônicos especiais com telemedição, denominados medidores inteligentes, que ajudam nesta gestão em tempo real. O consumidor residencial e outras classes de consumidores de menor porte só sabem do tamanho da sua conta no final do mês, quando a recebem da distribuidora.

Outra alternativa importante nesta direção é a implantação da pré-venda de energia a exemplo do ocorre hoje com a telefonia, pois ajudaria o consumidor a gerenciar o seu consumo. Somente agora a ANEEL abriu uma Consulta Pública para debater o assunto, aliás tardiamente.

Recentemente a Aneel, regulamentou a implantação da “Tarifa Branca” para vigorar a partir de 2018, onde o consumidor passa a ter possibilidade de pagar valores diferentes em função da hora e do dia da semana. Se o consumidor adotar hábitos que priorizem o uso da energia fora do período de ponta (17 às 20 horas), diminuindo fortemente o consumo neste horário, a opção pela Tarifa Branca oferece a oportunidade de reduzir o valor pago pela energia consumida. O tamanho desta economia dependerá muito do perfil de consumo de cada um, porém observa-se uma melhor oportunidade para o segmento comercial nesta modalidade tarifária.

 O conceito de “Smart Grid” ou “Rede Inteligente” deve ser urgentemente priorizado pela Aneel para implementação pelas Distribuidoras. Uma realidade bem presente em outros países. Aqui no Brasil a coisa ainda engatinha. Em Mato Grosso nem se fala. Hoje existem vários projetos de “Smart Grid” no Brasil, mas a maioria está em fase de testes e nenhum é tão grande quanto o da Light. Até final de 2018, 40% de seus consumidores serão abastecidos pela rede inteligente.

A rede inteligente proporciona a integração da rede de distribuição com os medidores eletrônicos inteligentes para que o consumidor possa fazer uma supervisão remota dos mesmos. Com uma gestão efetiva em tempo real, o consumidor poderia acompanhar dia a dia, até com supervisão via celular ou internet e se estivesse gastando muito, perceberia antes e poderia administrar melhor o uso da energia até o final do mês, inclusive cuidando para manter-se numa faixa de tributação de ICMS menor.

Além de gerenciar o consumo pela internet ou outro meio, os medidores eletrônicos inteligentes viabilizarão a medição remota do consumo evitando a necessidade de leitura presencial todo mês e ainda enviariam um alarme para a Distribuidora, alertando que o consumidor estaria com uma falta de energia, por exemplo, contribuindo para que a apuração dos indicadores de continuidade e qualidade que medem a eficiência da Distribuidora sejam mais consistentes. Auxiliaria ainda a Distribuidora a identificar possíveis desvios de energia devido a fraudes, cujo custo acaba recaindo em grande parte para todos os consumidores.

Entre esta gestão ideal que a Aneel tem que rapidamente possibilitar ao consumidor, o que se pode fazer atualmente é a gestão do tempo de uso da energia de forma improvisada, porém vigilante, com a conscientização dos usuários da unidade consumidora para evitar as situações de desperdício.

A ampliação do Mercado Livre para consumidores menores e a liberalização total do mercado (portabilidade) para que o consumidor possa escolher sem restrições seu fornecedor de energia elétrica vai alterar completamente o modelo de comercialização nos próximos anos. Uma forma interessante de alcançar esse objetivo por enquanto seria apostar nas instalações de sistemas de mini e de microgeração distribuída de fontes renováveis, sejam eles hídricos, fotovoltaicos, eólicos, biodigestores e outros para a produção de energia pelos próprios consumidores. Mais livre que isso, impossível para o pequeno consumidor que é obrigado hoje a adquirir a energia no Mercado Cativo das Distribuidoras a um custo bem mais elevado que no Mercado Livre.

 

Assim foi fundamental a implementação da legislação pela Aneel para a micro e minigeração distribuída afim do consumidor gerar sua própria energia principalmente a partir da energia solar, que deve vir acompanhado de um bom programa de financiamento e redução de tributos neste seguimento para reduzir o tempo de retorno do investimento. Atualmente já se consegue pagar o investimento na média em cinco anos.

 

O resultado da pesquisa só ressalta a falta de investimentos e o grande potencial de economia do setor elétrico brasileiro, um bom caminho a percorrer. Afinal, como sempre digo, a melhor energia ainda é aquela que não se gasta!

Teomar Estevão Magri

Eng. Eletricista e de Segurança do Trabalho com MBA em Gestão de Negócios, Coordenador de Energia da SEDEC e Conselheiro do CONCEL-MT